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Publicado em: 03/02/2011
Paraíso Turístico: Fernando de Noronha, em Pernanbuco A realização de um sonho. É assim que muitos brasileiros encaram o projeto de uma viagem para Fernando de Noronha (PE). Nem é preciso dados oficiais para confirmar este frenesi que o arquipélago causa nas pessoas. Basta comentar em uma roda de amigos que o destino é Noronha e a resposta é praticamente um mantra, transformando o lugar em algo místico. Principalmente para os amantes da natureza, este “auê” todo procede. Vinte e uma ilhas compõem o arquipélago, numa extensão de 26 quilometros quadrados. Mas apenas uma delas é habitada – a maior, com 17 quilômetros quadrados. Da área total, 75% fazem parte do Parque Nacional Marinho e o restante é controlado pela Área de Proteção Ambiental (APA). Isso significa que, desde 1988, quando passou a fazer parte de Pernambuco, as regras para as ilhas ficaram ainda mais rigorosas. O arquipélago chega a ser chamada de “terra do não pode”. Mas se por um lado isso parece limitador, por outro, cada cantinho que pode ser “experimentado” acaba sendo um pedaço do paraíso. Essa experiência é para poucos, uma vez que não há muita gente por lá. São 3.600 moradores e é permitida a entrada de apenas 350 turistas por vez na ilha. O controle é rigoroso e as taxas para quem quer conhecer as 16 praias são como a água do mar, salgadas. Segundo a Lei nº 1.704, para ingressar em Noronha é preciso pagar uma taxa de preservação ambiental. Um dia sai por R$ 40,40. Mas como o governo quer rotatividade e inibir aqueles que pensam na possibilidade de uma temporada mais longa os valores sobem significativamente. Quem quiser ficar um mês no arquipélago terá de pagar R$ 3.333 apenas de taxa. Os nativos até brincam: “Não tá fácil por aqui. Nem nascer mais dá. As grávidas são transferidas para Recife. E já são oito homens para cada mulher na ilha”, conta Flávio Duio, 38 anos, guia turístico e um dos últimos a nascer no local. Mas ele garante também que toda esta dificuldade de acesso também faz parte do charme do lugar. Fernando de Noronha não tem bairros, tem vilas que guardam muita história. A descoberta do arquipélago foi registrada em 1503, pelo navegador Américo Vespúcio. “O paraíso é aqui”, disse ao batizar o local de São Lourenço. No ano seguinte, as terras foram doadas para Fernão de Noronha, que havia financiado a expedição da descoberta. E assim nasceu a primeira Capitania Hereditária do Brasil. Mas o principal atrativo de Noronha são suas praias. E não é pra menos. As imagens são de tirar o fôlego, tamanha a beleza. Algumas delas estão lá justamente para isso: para serem contempladas. O Mar de Fora (como é chamada a parte do Atlântico virada para a África) abriga a Ponta das Caracas, com piscinas naturais formadas por pigmentos de lavas vulcânicas, mas o banho não é permitido. Um problema? Não para quem entende a proposta do arquipélago: “sentir” o lugar sem precisar tocá-lo. Tem mais observação na Praia do Leão, local onde ocorre a maior parte da desova de tartaruga. A área faz parte do parque e o controle por ali é rigoroso. Tem ainda o Buraco da Raquel e o lugar também faz parte do pacote do “não pode”. O nome é sugestivo e as versões para tal origem são inúmeras. É divertido ficar sentado no alto do morro, com o vento forte batendo no rosto, escutando as histórias (falsas*) em torno do nome enquanto se contempla um dos maiores celeiros da vida marinha. É nesta mesma região que fica o museu dos tubarões. Do outro lado da ilha, no Mar de Dentro (voltado para a costa brasileira), estão as praias onde os turistas podem por os pés no mar e curtir com toda a intensidade. As praias do Cachorro e do Meio são as de mais fácil acesso e Conceição, com a famosa imagem do Morro do Pico; e Boldró, os points dos surfistas. O título de “mais bonita do Brasil” é dado para a Baía do Sancho e Baía dos Porcos, esta presenteada com a presença do Morro Dois Irmãos. O acesso às duas não é fácil e a sugestão é ir de barco e aproveitar para fazer um mergulho de flutuação. A Baía dos Golfinhos, no Mar de Dentro, é um show a parte. O local é considerado o maior aquário natural do mundo da espécie rotadores, onde ocorre o acasalamento e o descanso. Toda a área é delimitada por cordas e boias e os barcos de observação podem apenas passar por ali, jamais parar. Mas o passeio é compensador. Com a aproximação do local, não demora para que os golfinhos comecem um verdadeiro “balé” na frente dos barcos. Mas os nativos explicam que se trata de uma estratégia dos golfinhos machos para distrair o “intruso” (os barcos), considerado uma ameaça para os filhotes e fêmeas. Nobres motivos e belíssimo espetáculo. E atenção! Quem parar ali está sujeito a multa e prisão, de acordo com Instruções Normativas de Noronha. Ir a Fernando de Noronha e não praticar um mergulho sequer é como ir Paris e não visitar a Torre Eiffel. Não dá para conceber. E as desculpas de que não fez treinamento específico para isso ou que não sabe nadar não são aceitas. Se nesta terra de tantas regras isso não existir, devem ser incluídas urgentemente nos manuais de Noronha. Existem dois tipos de mergulho para os amadores. O de flutuação e o da pranchinha. Ambos são realizados nas baías mais lindas do Brasil e com total segurança, inclusive com coletes salva-vidas. No de flutuação, como o nome diz por si, a pessoa fica boiando na superfície e, com viseira e snorkel, descobre um mundo de cores e espécies de peixes e corais ao alcance das mãos. É a realidade em movimento e não mais fotos ou imagens da televisão que tentam reproduzir o que parece um mundo paralelo. O mergulho da prancha submarina já provoca um pouco mais de emoção, mas nada que não possa ser feito por quem nunca boiou mais de um minuto. Uma lancha sai do Porto de Santo Antônio e percorre uma longa faixa do Mar de Dentro, numa velocidade de 3 a 4 quilômetros por hora – isso é quase um marcha lenta, para se ter uma referência. Esta lancha puxa entre 4 a 5 cordas com pranchas que podem ficar na superfície ou, se manobradas, podem submergir. Com um pouco de sorte é possível ver trechos do navio grego Eleani Sthatathos que afundou ali, além de tartarugas, peixes, raias e corais.
Fonte: Gazeta do Povo |








